Prato do almoço na Casa Branca surpreendeu brasileiros, mas formato cremoso tem raízes de séculos na culinária maia e asteca; tutu mineiro segue a mesma ideia

Purê de Feijão-preto servido a Lula e Trump intriga brasileiros, mas é tradição na América Central — e tem um “primo” mineiro
O purê de Feijão-preto servido no almoço entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente americano Donald Trump, na Casa Branca, surpreendeu brasileiros e gerou repercussão nas redes sociais. O estranhamento veio do formato pouco comum no Brasil: um Feijão cremoso, espesso e servido quase como uma pasta.
O cardápio do encontro diplomático incluía, como entrada, salada de alface-romana com Jicama — raiz crocante típica da culinária mexicana —, Laranja, Abacate e molho cítrico. No prato principal, filé bovino grelhado acompanhado de purê de Feijão-preto, minipimentões doces e relish agridoce de Rabanete com Abacaxi.
Formato pouco comum no Brasil, mas tradição na América Central
No Brasil, o Feijão costuma ser servido com caldo, acompanhando arroz ou compondo pratos tradicionais, como a Feijoada. Já a versão cremosa e espessa ainda é pouco presente na rotina alimentar da maioria dos brasileiros, o que ajuda a explicar a surpresa causada pelo prato servido na Casa Branca.
Na culinária mexicana e centro-americana, porém, o preparo é tradicional e amplamente consumido. Conhecido como “frijoles negros refritos”, o prato faz parte do dia a dia em países como México, Guatemala, El Salvador e Honduras.
A origem da receita remonta às civilizações Maia e Asteca, que já utilizavam Feijões cozidos e amassados há milhares de anos, segundo registros arqueológicos da Mesoamérica. O Feijão, ao lado do Milho e da Abóbora, formava a chamada “tríade sagrada” da alimentação mesoamericana.
Apesar do nome “refritos”, o prato não é frito duas vezes. No espanhol mexicano, o prefixo “re-” funciona como intensificador. A preparação consiste em Feijões cozidos, amassados e refogados em gordura — tradicionalmente banha de porco.
Menu teve inspiração mesoamericana
A presença da Jicama na entrada reforçou a leitura de que o almoço teve inspiração na culinária mexicana e centro-americana. A raiz crocante é típica dessa tradição gastronômica e raramente aparece em menus de outras regiões.
A combinação entre Jicama e purê de Feijão-preto no mesmo cardápio sugere uma referência deliberada à culinária mesoamericana.
Tutu mineiro tem técnica semelhante
Na culinária brasileira, o prato que mais se aproxima da técnica utilizada no purê servido na Casa Branca é o Tutu à Mineira. A receita leva Feijão cozido e amassado, refogado com bacon, alho e cebola, além de farinha de mandioca ou de Milho para dar consistência.
A principal diferença está no tipo de Feijão utilizado. Enquanto a versão mesoamericana é feita tradicionalmente com Feijão-preto, o Tutu costuma ser preparado com Feijão-carioca. A textura também é mais rústica, mas a lógica culinária é semelhante: transformar o Feijão em uma pasta cremosa e encorpada.