Viva Feijão

As Pulses ocupam um lugar estratégico na alimentação mundial e ganham importância crescente no debate sobre segurança alimentar, nutrição e sustentabilidade. O termo é utilizado internacionalmente para designar as sementes secas comestíveis das leguminosas, colhidas após a completa maturação e destinadas exclusivamente ao consumo humano. Fazem parte desse grupo os Feijões, as Lentilhas, o Grão-de-bico, as Ervilhas secas e outras variedades amplamente cultivadas e consumidas em diferentes regiões do planeta.

Embora presentes na dieta humana há milhares de anos, as Pulses passaram a ser reconhecidos de forma mais sistemática nas últimas décadas, impulsionados por estudos técnicos e por ações de organismos internacionais como a Food and Agriculture Organization – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Hoje, esses grãos são vistos não apenas como alimentos tradicionais, mas como componentes-chave de sistemas produtivos mais eficientes, resilientes e sustentáveis, tema diretamente ligado à atuação do Instituto Brasileiro do Feijão Pulses e Colheitas Especiais (IBRAFE).

Pulses e leguminosas, conceitos que se complementam

Do ponto de vista botânico, todas as Pulses pertencem à família das leguminosas. No entanto, a definição técnica vai além da classificação da planta e considera o uso final do grão. São consideradas Pulses apenas aqueles colhidos secos e destinados à alimentação humana direta.

Ficam fora dessa categoria as leguminosas consumidas verdes, como vagens e ervilhas frescas, assim como culturas voltadas principalmente à extração de óleo ou ao uso industrial, caso da soja. Essa distinção é fundamental para análises estatísticas, políticas públicas, planejamento agrícola e comércio internacional, áreas nas quais o IBRAFE atua de forma técnica e institucional.

Feijões – base alimentar e diversidade produtiva

Os Feijões constituem o grupo mais representativo entre as Pulses e têm papel central na alimentação brasileira. Com ampla diversidade de cores, tamanhos e características culinárias, os Feijões se adaptam a diferentes sistemas produtivos e hábitos de consumo, sendo um alimento presente tanto na mesa do dia a dia quanto em preparações regionais tradicionais.

Do ponto de vista nutricional, os Feijões são reconhecidos pelo alto teor de proteína vegetal, pela riqueza em fibras e pela presença de minerais essenciais, como ferro e potássio. Esses atributos contribuem para dietas equilibradas, promovem saciedade e auxiliam na prevenção de doenças crônicas.

No campo, o cultivo do Feijão também oferece benefícios agronômicos relevantes. A capacidade de fixação biológica de nitrogênio melhora a fertilidade do solo e reduz a necessidade de fertilizantes químicos, reforçando seu papel em sistemas agrícolas sustentáveis e na rotação de culturas.

Lentilhas – tradição, eficiência e valor nutricional

As Lentilhas estão entre as Pulses mais antigas cultivadas pela humanidade e seguem desempenhando papel importante na alimentação global. Seu consumo é tradicional em diversas regiões da Ásia, do Oriente Médio e da Europa, e vem crescendo em outros mercados, impulsionado pela busca por alimentos saudáveis e de preparo prático.

Ricas em proteínas, fibras e folato, as Lentilhas contribuem para a saúde metabólica e para a qualidade nutricional das dietas. Sua facilidade de cozimento e boa conservação também as tornam atrativas do ponto de vista logístico e comercial.

Agronomicamente, as Lentilhas apresentam boa adaptação a ambientes com menor disponibilidade hídrica, reforçando seu potencial em sistemas produtivos mais eficientes.

Grão-de-bico – versatilidade e expansão de mercado

O Grão-de-bico é uma das Pulses mais conhecidas no comércio internacional e destaca-se pela versatilidade de uso. Presente em diversas tradições culinárias, pode ser consumido em grãos, pastas, farinhas e produtos processados, ampliando suas possibilidades de agregação de valor.

Seu perfil nutricional inclui proteínas, fibras e minerais importantes para a saúde muscular e óssea. Essa combinação, aliada à crescente demanda por proteínas de origem vegetal, tem impulsionado o consumo e a produção do Grão-de-bico em diferentes regiões do mundo.

No sistema produtivo, o cultivo do Grão-de-bico contribui para a melhoria do solo e para a diversificação agrícola, aspectos alinhados às diretrizes de sustentabilidade defendidas pelo setor de Pulses.

Ervilhas secas – eficiência produtiva e aplicação industrial

As Ervilhas secas, distintas das Ervilhas verdes consumidas frescas, integram o grupo das Pulses e possuem importância crescente tanto na alimentação humana quanto na indústria de alimentos. São fonte relevante de proteínas, fibras e carboidratos complexos, oferecendo energia de liberação gradual e boa digestibilidade.

Além do consumo direto, as Ervilhas secas vêm sendo amplamente utilizadas como matéria-prima para ingredientes proteicos, acompanhando tendências globais de inovação alimentar. Sua produção apresenta bom rendimento agrícola e menor impacto ambiental, reforçando seu papel estratégico em cadeias produtivas modernas.

Pulses, saúde e segurança alimentar

O consumo regular de Pulses está associado a diversos benefícios à saúde, amplamente reconhecidos pela literatura científica. Esses grãos contribuem para o controle glicêmico, para a saúde cardiovascular e para a qualidade geral da alimentação.

Além disso, Pulses são fundamentais para a segurança alimentar global, por aliarem alto valor nutricional, longa vida útil e custo acessível. Essas características explicam o reconhecimento internacional do grupo e a instituição do Dia Mundial dos Pulses, celebrado em 10 de fevereiro.

Um compromisso com o futuro da alimentação

As Pulses representam a convergência entre tradição agrícola, inovação e sustentabilidade. São alimentos que respondem aos desafios contemporâneos de produzir mais, com menor impacto ambiental, garantindo qualidade nutricional e acesso à população.

Ao promover o conhecimento, a produção e o consumo responsável de pulses, o setor contribui para sistemas alimentares mais equilibrados e resilientes. Nesse contexto, o trabalho desenvolvido pelo IBRAFE reforça a importância estratégica desses grãos para o Brasil e para o mundo.

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